Lúcia Helena – Uma Enfermeira

Completei 28 anos de trabalho no Serviço de Saúde.

Devo dizer que me orgulho da minha profissão. Uma profissão sofrida, com a dor de outras pessoas;  profissão pouco respeitada no reconhecimento salarial e profissão completamente desprezada nas condições de trabalho.

Ao longo desta minha jornada, aprendi muito. Não me refiro só das técnicas, que são importantíssimas para executar meu trabalho, mas de experiência de vida. Aprendi às vezes com o sofrimento de estranhos e de pessoas que nunca veremos outra vez. Estas experiências e dores alheias nos levam a valorizar cada instante vivido.

Apliquei o que minha mãe, desde muito cedo, me ensinou: O respeito a todos, não importa quem seja, não importa a cor da pele, não importa o sexo, não importa a classe social. Aprendi  a ter compaixão, a me colocar do outro lado, e ver que, em algumas circunstâncias, os nossos problemas são mínimos. Sempre observei que algumas pessoas em situações terríveis, se mantêm pela fé em Deus e confiança no profissional que os auxilia.

Aprendi que remédio, nem sempre é um fármaco… um olhar, uma palavra, um gesto de ouvir, um abraço, a mão no ombro, ou somente sobre a mão de quem necessita (realmente de uma mão amiga), pode ter um efeito curativo e eficaz, que dispensa um comprimido, uma injeção.

E que também, tem funções que gostamos mais. Como exemplo, posso citar o Tratamento de Feridas.

Tenho consideração toda especial por este tipo de tratamento e recuperação. É seguro afirmar que, tocar na ferida  do outro, literalmente, exige respeito; zelo; atenção; técnicas específicas. Tratamento de feridas tem sempre uma boa resposta.

É fascinante quando você pode observar a evolução de processo de cicatrização até a formação de uma nova pele, sobre uma lesão. Muitas vezes é um processo longo, algumas vezes, vem o fracasso e isso nos obriga, nos motiva a pesquisar novas fórmulas, formas, coberturas especiais. E quando quanto enfrenta o olhar de confiança do paciente, isto move um grande sentimento, que posso dizer que toca a alma de quem cuida e dá força e estimula o desejo de acertar em cada detalhe, para obter um bom resultado do tratamento e a felicidade estampada no rosto de quem sofria.

Sou grata  a  Deus que me dotou da capacidade  de cuidar, sou grata à minha mãe que me incentivou, sou grata a enfermeiros e outros colegas de profissão que, de alguma forma, me ajudaram nesta caminhada que só avança e ajuda as pessoas, e agradeço aos pacientes que cuidei que, pacientemente confiaram em mim.

Lúcia Helena

5 comentários sobre “Lúcia Helena – Uma Enfermeira

  1. A Enfermagem no Brasil é desvalorizada devido a cultura do terceiro mundo, onde caridada é primodial na assistencia. Hoje percebe-se que profissional da saúde a enfermagem em espécifico tem que se capacitar, atualizar para uma assistencia qualificada.No entanto, necessário valorização financeira e condições de trabalho para garantir todos os aspectos humanização nas unidades saúde e normas estabelecidas pelo ministério da saúde.

    1. Eu creio que os órgãos competentes conseguem ver que o serviço de enfermagem deveria ser valorizado,respeitado,reconhecido.Porque acho simples entender que quem cuida,também deve estar em boas condições…mas efetivamente falta autoridades competentes para agir e cumprir ,aprovar leis,entender que piso salarial é necessario para a melhoria de qualidade de vida do trabalhador ,prestador de serviço

  2. As gestões de saúde de começar a valorizar a Enfermagem pois está cada vez ocorrendo invasão de funcionários, redes pública e principalmente nas redes privadas onde ocorre infelizmente desuhumanização o profissional de saúde não tem um lugar para o descanso e incluindo desvalorização profissional, financeiras e como ser humano . Existe lideres sem perfil nenhum de conduzir uma equipe que piora a situação. Tem que conscietização das gestões para manter o serviço de qualidade com garantias ao clientes ou pacientes preservação de sua vida.

  3. A área da saúde, especialmente para quem trabalha com saúde pública e não com a medicina como negócio, tem sido das maiores prejudicadas com a precarização, terceirização, cessão, omissão das autoridades.
    As condições de trabalho dos valorosos profissionais da saúde tem sido péssimas. Em algum momento a sociedade vai perceber que os profissionais da saúde e da educação precisam de muitos mais do que tem recebido, não só do ponto de vista econômico mas, principalmente, do ponto de vista das condições laboriais.

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